
“Música: hálito das estátuas. Talvez: silêncio das pinturas. Ó língua, onde as línguas acabam. Ó tempo, posto a prumo sobre o sentido dos corações transitórios. Sentimentos - de quê? Ó transmutação dos sentimentos - em quê?: em paisagem audível. Ó peregrina: Música. Espaço de coração de nós liberto. O mais íntimo de nós que, transcendendo-nos, força por sair, sagrada despedida: quando o íntimo nos envolve como o mais exercitado dos longes, como o outro lado do ar: puro, gigânteo, já não habitável...”
O P H I C I N A
D E
S O N S
Situada em Belo Horizonte - Minas Gerais/Brasil -, foi fundada a 28 de maio de 1993.
Não poderia ser definida como propriamente um ‘Curso’ de Música. O termo ‘Percurso’ seria mais apropriado. Ou, ‘Vereda’. ‘Travessia’...
A Ophicina de Sons ®
visa contemplar, cultivar, amplificar, instrumentalizar e dialetizar os parâmetros do ensino artístico-musical. Não obstante,
por qual trilha(r)?
Hermeto Pascoal, consagrado músico brasileiro, afirmava: "Meu professor é meu dom." A conotação aplicada ao termo ‘autodidatismo’ é substancial para que sejam desenvolvidas, a posteriori, a compreensão e crítica perante o processo ‘ophicínico’ de endoculturação.
Aliás, tratando-se do peculiar adjetivo empregado (ophicínico), em que consistiria o sistema filosófico denominado (acione o link) ‘cinismo’ para os
antigos gregos?
Uma construtiva sugestão à futura pesquisa internáutica. Civilizações passadas (do Extremo ao Médio-Oriente até ao berço da Ocidentalidade) possuiam - perante o magistério artístico-musical - uma consciência humanista e mesmo metafísica (‘re-ligante’) incomparavelmente mais abrangente que a perpetrada por grande parte dos métodos cristalizados em tempos atuais.
Assumindo tal consciência, a Contemporaneidade nos faz privilegiados por termos acesso a uma visão histórica conjuntural e, assim, podermos desfrutar de confluências filosóficas, antropológicas, psicológicas, tecnológicas etc a favor de um ensino musical inter e transdisciplinar. Em tais termos foi projetada nossa pedagogia.
Abolir o papel
paternalista delegado ao professorado; instituir a polivalência de intercambiáveis áreas do conhecimento humano; destacar a similitude entre o ato de apreensão e o de criação, eis pedras-de-toque da ophicina de sons.
Vejamos, mais objetivamente, alguns dos preceitos adotados:
I -
A Música abordada como veículo de integração entre intuição, percepção, sensibilidade, emoção, intelecto humanos;
II -
Análise da sua História;
III -
Paralelismos conceituais para com outras Artes (Literatura,
Cinema, Dança...);
IV -
Introdução a teoria, notação e técnica musicais em meio a metodologia própria
('work in progress');
V -
A Música Popular Brasileira é tomada como genérica ‘távola redonda’ da qual todo o processo é desenvolvido e emancipado a outras linguagens como Jazz,
"Clássico", rock etc;
VI -
Instrumento – que abarca tópicos harmônicos, melódicos e rítmicos – utilizado empiricamente: Violão. Uso plural de outros (piano, percussão, contrabaixo etc) com o intuito de abranger possibilidades perceptivas. A Voz e o Canto estão inseridos na amplitude
desse tópico;
VII -
Workshops, jam-sessions, palestras...;
VIII -
‘Encontros’ – com abrangente duração – individuais e/ou coletivos, ocorrem em Espaços Abertos como Praças (da Liberdade, Marília de Dirceu, do Papa...), Parques (Municipal, das Mangabeiras, Lagoa do Nado...) e Público-Culturais locais que abarquem exposições, apresentações, mostras como o Palácio das Artes, Museu de Arte da Pampulha ou Abílio Barreto...);
IX -
Programas de ensino voltados às especificidades dos ‘participantes’ (seus objetivos e anseios influem diretamente em norteamento ophicínico);
X -
Mensalidade flexível, ajustável ao módulo de Encontros acordado*;
XI -
Formação de uma 'Phonoteca' contendo registros sonoros (em pen drives, CDs, DVDs &tc) cosmopolitistas. Conhecer mais séria e profundamente a expressão artística de outros povos e etnias amplia concepções musicais e re-evolui nossa própria relação com a cultura da qual fomos originados ou em que estamos inseridos.
* Valores não são estipulados pela Ophicina e sim por seus participantes.
Partindo dessa premissa, são maturados, em comum acordo, quantos encontros se darão
a cada mês.
A propósito, ao tratar de uma personagem que recebera
o título de
Sapateirólogo,
o escritor, cineasta e multimidiático chileno
Alejandro
Jodorowsky
se referia àquela que desenvolvera seu ofício de modo sui generis, confeccionando um sapato sob medida não só dos pés, mas também da alma. E sem um preço fixo.
" - Que cada cliente pague o que queira ou possa. Isso o levará a ter uma atitude ética, a escolher entre dar o mínimo, o correto ou o máximo, o que servirá para que ele possa conhecer-se a si mesmo..." (Excerto de 'Quando Teresa Brigou com Deus').
O t a c í l i o
M e l g a ç o
&
L e o D e
S a n c t i s
contato: ophicinadesons@yahoo.com.br
ou via